Qual relação que podemos estabelecer entre esse fragmento que retrata um dos aspecto do cotidiano de Cabo Verde com o contidiano de muitos brasileiros?
Respostas
O fragmento retrata uma situação de pobreza e miséria, que também existe no Brasil, principalmente em regiões muito pobres do nordeste e do norte, mas também ocorre nas demais regiões do Brasil.
No Brasil a pobreza ainda é muito grande, a renda média de mais da metade dos brasileiros ainda é inferior a 1 salario mínimo, que já um salario baixo e que não permite que os brasileiros vivam de forma digna.
Porém, muitos outros brasileiros ainda vivem abaixo da linha da miséria, cerca de 13,5 milhões de brasileiros.
texto abaixo:
Mesmo que chovesse, era já tarde. Compreendia que a situação se tornava cada dia mais difícil e eu tinha que trabalhar de qualquer forma.
Dragão de vez em quando espetava as orelhas e punha-se a farejar por todos os lados.
Eu sacava da pistola e parava a cavalgadura. Depois continuava estrada a fora, sempre atento às pessoas que passavam.
A vila enchia-se de gente que abandonava os campos sem água. Vinham
esfarrapados, magros, com chagas enormes fedendo a podridão.
As mães traziam os filhos pequenos à cabeça, em grandes balaios. Paravam à porta dos sobrados e mostravam os cestos de carriço onde se viam olhos gulosos emergindo de carinhas murchas de fraqueza. Deambulavam pelas ruas num corteja de tristeza e desespero.
Pinoti-Capador morreu inchado, a brincar com uma pedra. Perdiam o juízo e ficavam que nem umas crianças. Os meninos ganhavam rugas e pareciam uns anões velhos. De noite recolhiam-se no casarão da Escola e no outro dia, ia-se ver, eram vivos e mortos estendidos a esmo pelo chão.
Recomeçava a peregrinação pelas portas das casas e repetiam-se as cenas que então se viam. Meninos chupavam tetas vazias, mães que recusavam o comer aos filhos, velhos que morriam nos largos públicos, na presença de toda a gente.
Quando lhes dava para emagrecer, iam a ponto de pouco faltar para uns esqueletos perfeitos. Mas depois inchavam e ficavam luzidios como a pele de um tambor. A seguir estiravam-se de comprido, os olhos escancarados para o céu aberto, sem nuvens, donde não caía a chuva. Foi um tempo terrível aquele, para as gentes da ilha.”
BRAGANÇA, Albertino. Contos africanos