Respostas
Resposta:
Durante a Primeira República, uma das relações de desigualdade em que o clientelismo se baseava era entre os camponeses e os coronéis. Nesse período, havia nessa relação um componente afetivo e pessoal, tornando o coronel um provedor benquisto nas casas das pessoas.
Após 1930 e a urbanização, o clientelismo passou a se apresentar como uma relação mais mercantilizada na forma de compra de votos, ao invés do aspecto afetivo que havia antes com os coronéis. Assim, a dependência também parece diminuir e a competição política aumenta.
Atualmente, diversos autores defendem que com a maior mobilidade social e a distribuição de renda, a necessidade de depender de lideranças políticas diminui, e assim também se reduz o clientelismo. Além disso, o próprio desenvolvimento da democracia deveria minar esse fenômeno.
Entretanto, o clientelismo ainda é observado em diversos países, mesmo aqueles considerados mais desenvolvidos. No caso brasileiro, enxergar o clientelismo como algo atrasado ou sinônimo de dependência e ignorância das pessoas pode não ser o mais adequado.
Exemplos de clientelismo:
Visitas: ao se aproximar de períodos eleitorais, diversas lideranças políticas costumam visitar pequenas vilas ou cidades oferecendo água, roupa, livros e outros bens, com o objetivo de obter prestígio e voto.
Cargos políticos: alguns cargos em instituições públicas acabam sendo “oferecidos” para amigos ou familiares de políticos. Assim, pessoas pedem o cargo em troca de voto, por exemplo.
Saúde: em diversos casos, políticos conseguem vagas em serviços públicos de saúde ou mesmo pagam por tratamentos (por exemplo, dentários) aos seus “clientes”, em troca de voto.
Dinheiro: não raramente, um candidato à representação política pode mesmo oferecer dinheiro para os seus potenciais votantes, embora seja crime.
Atendimento ao eleitor: nos Estados Unidos, é comum existirem escritórios em que os políticos atendem diretamente seus eleitores. Assim, firma-se uma relação clientelista de longo prazo.
Patrimonialismo: define-se como a dificuldade de separação entre o público e o privado, e o uso de bens públicos para necessidades pessoais. Assim, políticos usam os recursos institucionais para benefício próprio, inclusive de familiares e amigos.
Coronelismo: era uma grande rede de relações, sendo uma forma de clientelismo que ocorria no Brasil até 1950, consistindo na existência e no grande poder dos coronéis.
Desse modo, o clientelismo está presente amplamente nas sociedades. Se ela favorece ou não a democracia e o acesso aos serviços de qualidade pela população, a resposta é ambígua
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