A chibata não lhe fazia mossa; tinha costas de ferro para resistir como um Hércules ao pulso do guardião Agostinho. Já nem se lembrava do número das vezes que apanhara de chibata...
— Uma! cantou a mesma voz. — Duas!... três!...
Bom-Crioulo tinha despido a camisa de algodão, e, nu da cintura para cima, numa riquíssima exibição de músculos, os seios muito salientes, as espáduas negras reluzentes, um sulco profundo e liso d’alto a baixo no dorso, nem sequer gemia, como se estivesse a receber o mais leve dos castigos.
Entretanto, já iam cinqüenta chibatadas! Ninguém lhe ouvira um gemido, nem percebera uma contorção, um gesto qualquer de dor. Viam-se unicamente naquele costão negro as marcas do junco, umas sobre as outras, entrecruzando-se como uma grande teia de aranha, roxas e latejantes, cortando a pele em todos os sentidos.
A partir da leitura do excerto de Bom-Crioulo, romance naturalista publicado por Adolfo Caminha em 1895 e considerando as discussões sobre essa tendência literária, avalie as afirmações a seguir.
I. Amaro, o Bom-Crioulo, tem sua imagem construída a partir da visão determinista, em que o meio social, a raça e o momento histórico são os elementos que definem o destino do indivíduo.
II. A força extrema do Bom-Crioulo reflete um aspecto recorrente nos romances naturalistas, que é a exploração das características biológicas dos sujeitos por vezes pautadas nas teorias raciais vigentes naquele período.
III. Seguindo a tendência naturalista de aprofundamento sobre a psicologia das personagens, observa-se no excerto uma preocupação mínima com a descrição gráfica da cena.
É correto o que se afirma em
Alternativas
Alternativa 1:
I, apenas.
Alternativa 2:
II, apenas.
Alternativa 3:
I e II, apenas.
Alternativa 4:
II e III, apenas.
Alternativa 5:
I, II e III.
Respostas
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5
Resposta:
Alternativa 5:
I, II e III.
Explicação:
leiam a pag a 136 em diante
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